4 de abr de 2016

Apple faz 40 anos. Terá a companhia chegado à crise da meia-idade?

A empresa que defendeu a rebeldia e o inconformismo com o famoso comercial "Think Different", também começa agora a mostrar seu lado mais sério
Na abertura do evento de lançamento do iPhone 6 SE na semana passada, o CEO da Apple, Tim Cook, incluiu no seu discurso três declarações que podemos considerar "coisa de gente mais velha", bem apropriadas para quem está entrando na casa dos 40 anos:  a Apple está defendendo a privacidade da América; ela está reciclando e tornando-se reutilizável; e dedicando produtos específicos para ajudar a curar doenças (com o novo ResearchKit).

Celebrando hoje, 1 de abril, seus 40 anos e com uma fortuna de US$ 216 bilhões em caixa, definitivamente a Apple não é mais a startup criada por dois garotos de cabelo comprido em uma garagem e muito menos a jovem empresa que publicou um libelo em defesa da rebeldia e do inconformismo com o célebre comercial "Think Different", em uma alusão à sua briga contra o todo-poderoso (agora nem tanto) mundo PC. 
Embora proclame que a inovação continua à solta, a empresa envia sinais de que pode estar entrando em uma crise de meia-idade. Será? O editor do IDG News Service, Stephen Lawson, compilou cinco sinais que podem indicar uma crise, mas conseguiu juntar a eles cinco fatos que indicam que a rebeldia continua em pauta na companhia de Steve Jobs. Vamos a eles:
1. A Apple está reciclando sucessos antigos 
Crise: Estrelas do rock quando atingem a meia-idade começam a fazer coisas estranhas para ainda parecer jovens. No caso da Apple, acostumada a atrair filas de fãs acampados nas portas das lojas a cada lançamento, a empresa começa a ver sinais de estabilização nas vendas de iPhone. O que ela faz? Pega um modelo antigo que deu certo (o iPhone 5S) e o reedita com alguns extras transformando-o no iPhone 6 SE. O iPhone 6 SE (menor) possivelmente vai vender vários milhões de unidades, mas cadê o brilho?
Sem Crise: Não é culpa da Apple que a venda de iPhones está mais lenta. O mercado de smartphones está saturado quando comparamos com 2007, quando o primeiro iPhone pegou o mundo de surpresa. O novo SE deverá se provar popular entre os usuários que estão perfeitamente felizes com o tamanho do smartphone que compraram em 2012 e que querem um pouco mais de performance. Além disso, com o menor preço até hoje de um iPhone, o SE certamente vai atrair novas audiências.
2. A Apple está pensando em construir um carro
Crise: Comprar um carrão novo e turbinado (preferencialmente na cor vermelha) é popularmente reconhecido como um sinal de crise da meia-idade. É caro, é vistoso e promete um estilo de vida mais excitante. No caso da Apple, não é exatamente a compra de um conversível, mas ela está fazendo um movimento semelhante ao sinalizar que vai montar um carro. Que sucesso a empresa de Cupertino poderia de fato conseguir no cenário automotivo? Pelo menos uma dúzia de grandes montadoras estão nesse jogo há décadas e até a Google está anos à frente da companhia. Será que ela precisa mesmo de um carro elétrico bonito com design feito pelo Jony Ive para "dar um up" na marca?
Sem crise: Olhando por outro ângulo, se os carros realmente serão autônomos, eles não serão nada menos do que computadores com rodas, portanto por que a Apple não deveria entrar nesse mercado? O movimento na direção da tecnologia autônoma poderia abrir amplamente o mercado. Um carro pode ser o dispositivo móvel definitivo e um jeito da Apple transplantar seu ecossistema de telefone/tablet/nuvem/entretenimento da casa para a estrada.
3. O Mac é um PC muito bom, mas agora a Apple diz que o futuro da computação está no iPad novo.
Crise: Mudar de visual e estilo é típico da meia-idade. Não importa se os Macs têm sido campeões de estilo há anos; a Apple parece estar convencida que "fica gorda" com eles. Uma boa parte do discurso de venda do novo iPad Pro de 9,7 polegadas lançado na semana passada estava centrado em como ele é bom para videoconferências e geração de relatórios. A Apple não disse para a audiência trocar seus Macs (mais caros) pelo novo iPad Pro, mas está empurrando o novo dispositivo como um substituto dos velhos PCs Windows. 
Sem Crise: A Apple não está apenas olhando-se no espelho e se achando gorda. O uso de tablets conversíveis é de fato uma tendência, como evidenciam as saudáveis vendas do Surface Windows da Microsoft.  O trabalho está se tornando móvel e baseado na nuvem, portanto ainda menos trabalhadores precisam de um PC ou até mesmo de um notebook. E na medida em que as vendas do iPad caem, a empresa precisa encontrar um novo jeito de vender hardware. E poucos consumidores vão trocar seus velhos iPads pelo novo se ele apenas o usarem para navegar na web, streaming de vídeo e social media.
4. A Apple continua entrando em novos negócios
Crise: Se um contador faz 40 anos e começa a trabalha também como professor de surfe e DJ, está claro que não tem mais jeito. Nos últimos dois anos a Apple comprou uma empresa de streaming de música e fabricante de headphones (Beats Music), começou a fazer streaming de canais de cabo e esportes ao vivo e até está produzindo seus próprios programas de TV. 
Sem Crise: Entretenimento tem sido uma grande parte do negócio da Apple há anos. A empresa fez do iPod um hit vendendo músicas via iTunes. Mais tarde, deu aos consumidores razões para comprar um Apple TV ao oferecer download e aluguel de filmes e séries. Seus negócios com conteúdo já passaram em muito a venda dos dispositivos que os executam e agora o negócio de mídia digital em que ela foi pioneira se moveu para o streaming. O que estamos vendo é a Apple evoluindo junto com o mercado.
5. Mais do que um novo prédio, praticamente um pedaço de San Francisco
Crise: Não contente em ser a pessoa mais rica do quarteirão chamado Silicon Valley, a Apple está construindo uma casa gigante que parece um disco voador. Mas isso não foi suficiente, e a Apple agora está alugando um prédio de 7 mil metros quadrados em San Francisco, no bairro SOMA (coração das startups), como escritório.
Sem Crise: Construir novos prédios bacanas para suas sedes é típico das empresas do Vale do Silício, talvez como forma de deixar sua marca na geografia da região, sem mencionar a necessidade de espaço para acomodar uma força de trabalho que cresce exponencialmente. A Google abriu uma nova ala gigante do seu GooglePlex em Mountain View no ano passado; o Facebook terminou seus escritórios futuristas no ano passado em Menlo Park. A Apple ocupa o escritório central no Infinite Loop em Cupertino desde 1993, portanto merece um upgrade. E espaço em San Francisco é necessário se você quer competir por espaço com startups criadas por jovens de 20 anos.
Fonte Macworld.