4 de abr de 2017

Como o iPhone fez o sucesso e também quase faliu uma empresa inteira

Na última segunda-feira, 3, surgiu a notícia de que a Apple planeja desenhar por conta própria o processador gráfico das próximas gerações do iPhone. O que parecia uma simples movimentação de bastidores da indústria, porém, criou uma onda imprevisível no mercado de ações.
Essa onda, a princípio, só fez uma vítima imediata: a Imagination Technologies. Trata-se da empresa que produz os chips gráficos do iPhone há anos, e a mesma que divulgou a notícia de que a Apple planejava parar de contar com seus serviços.
Às 16h30 da última sexta-feira, 31 de março, as ações da britânica Imagination valiam 268 libras esterlinas - equivalente a pouco mais de R$ 1.000. Já às 8h da última segunda, esse valor caiu para apenas 100 libras esterlinas - equivalente a menos de R$ 400.
Uma hora depois, e o preço das ações já tinha caído mais ainda, para 84 libras (R$ 327). Em apenas um fim de semana, o valor de mercado da Imagination sofreu uma queda de nada menos do que 68%. Tudo graças à previsão de que a empresa estava prestes a perder o contrato com a Apple e parar de prover as GPUs do smartphone mais vendido do mundo.
Mas não é só isso. Segundo a própria Imagination, 50% de seus lucros vêm da venda desses componentes para a Apple. A empresa britânica também recebe uma parcela dos lucros obtidos com a venda de cada iPhone e iPad no mundo que usa sua tecnologia. E, apenas nos últimos três meses de 2016, a Apple vendeu mais de 78 milhões de iPhones.
Vlad Savov, editor do site norte-americano The Verge, lembra que a Imagination não é a única e nem a primeira empresa a depender tanto da Apple. Em 2013, uma fornecedora chamada GT Advanced Technologies ganhou US$ 1 bilhão da empresa de Cupertino, apenas para se declarar falida um ano depois.
O que aconteceu foi que a Apple buscou nessa pequena fabricante a tecnologia para criar telas de safira para o iPhone 6. O projeto sofreu uma série de complicações, já que Tim Cook queria produtos de alta qualidade a preços baixos, até que a ideia das telas de safira foi descartada e a GT Advanced, que havia investido até seu último recurso nesse acordo, acabou declarando falência.
No caso da Imagination, porém, ainda não é o fim do mundo. As ações da empresa começaram a notar um tímido aumento nas primeiras horas desta terça e após a queda vertiginosa de segunda. A própria companhia garante já está discutindo "possíveis acordos comerciais alternativos" com a Apple, e que a chance de sua cliente construir uma GPU própria do zero ainda é baixa.
Além disso, apenas um ano atrás, a Apple admitiu interesse em comprar a Imagination. A Maçã diz que não fez uma oferta oficial, mas, na época, o valor de mercado da fornecedora girava em torno dos 500 milhões de euros. Seja como for, a história dos últimos eventos é um bom lembrete de como o iPhone pode fazer o sucesso e também quase quebrar uma empresa inteira em questão de horas.
Fonte: Olhar Digital.