Pode não ter essa percepção, mas o telefone que carrega consigo, é das peças tecnológicas mais avançadas do planeta. De tal forma que investigadores desenvolveram uma forma de aproveitar as câmaras dos smartphones para fornecer leituras de radiação precisas.
O sistema, criado por cientistas da Universidade de Hiroshima (HU), no Japão, custa menos de 70 dólares americanos e pode ser uma grande ajuda em situações de desastre.
Um conjunto tecnológico incrível... sim, estamos a falar do teu telemóvel
Quando uma pessoa é exposta à radiação, cada segundo conta no que diz respeito a receber tratamento. A administração de citocinas pode estimular a produção de glóbulos brancos que é danificada pela exposição; o tratamento com iodeto de potássio ou azul da Prússia pode ajudar a eliminar partículas radioativas do organismo, e uma lavagem adequada pode prevenir queimaduras na pele que podem demorar dias a manifestar-se.
De facto, aqueles que recebem uma dose de radiação de corpo inteiro equivalente a 4 grays têm 50% de probabilidade de morrer no prazo de 60 dias se não forem tratados.

Configuração do sistema de digitalização portátil: um smartphone posicionado acima de uma câmara iluminada por LED para captura consistente da imagem do filme. (Bantan et al., 2026, Radiation Measurements, CC BY-NC-ND 4.0)
Grays (Gy) são unidades que exprimem a quantidade de radiação que uma pessoa recebeu, sendo que um gray equivale a um joule de energia de radiação absorvida por quilograma de tecido.
Dito isto, muitos métodos atuais de medição da exposição à radiação dependem de análises laboratoriais complexas ou de equipamento dispendioso.
Países que têm centrais nucleares estão sempre mais expostos
Para ajudar a alargar a capacidade de testar a exposição após eventos catastróficos, como o que ocorreu na central nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, em 2011, os investigadores da HU combinaram um filme radiocrómico conhecido como EBT4 com um scanner portátil dobrável e um smartphone.
O filme muda de cor instantaneamente quando exposto à radiação. E, embora a alteração seja visível a olho nu, não é realmente possível determinar os níveis de exposição apenas observando-o. É aqui que entram o scanner e o telefone.
Depois de o filme mudar de cor, pode ser colocado no scanner e a imagem pode ser captada pela câmara do smartphone. Utilizando aplicações móveis de processamento de imagem, o nível de exposição pode ser calculado, até um máximo de 10 Gy. Isto permite uma deteção de radiação no terreno acessível e precisa, poupando tempo significativo ao evitar a necessidade de levar as pessoas afetadas para ambientes clínicos para avaliação.
Para proteger as pessoas em caso de um acidente radiológico ou nuclear grave, avaliações voluntárias da dose no local e decisões rápidas sobre ações médicas devem ser realizadas imediatamente.
A simplicidade, a universalidade e a relação custo-benefício são fatores críticos para estas medidas de emergência.
Afirma o autor correspondente do estudo, Hiroshi Yasuda, professor no Instituto de Investigação em Biologia e Medicina da Radiação da Universidade de Hiroshima.
Samsung e Apple... OK
O sistema foi testado com sucesso utilizando smartphones da Samsung e da Apple. Agora, Yasuda e a sua equipa estão focados na normalização de protocolos e em garantir que o sistema funciona de forma fiável numa grande variedade de condições ambientais.
O artigo que descreve o sistema foi publicado na revista Radiation Measurements e é de acesso aberto, para que outros possam beneficiar dos resultados.
Embora o sistema funcione ainda melhor com scanners de secretária, Yasuda afirma que pretendiam algo mais portátil.
O nosso objetivo foi conceber um sistema que funcione mesmo nos piores cenários de acidentes, como após um desastre natural em que as infraestruturas possam estar danificadas.
Conclui.
Fonte: Pplware.

