30 de jan. de 2026

Novo sistema transforma smartphones em detetores de radiação

 Pode não ter essa percepção, mas o telefone que carrega consigo, é das peças tecnológicas mais avançadas do planeta. De tal forma que investigadores desenvolveram uma forma de aproveitar as câmaras dos smartphones para fornecer leituras de radiação precisas.

Um conjunto tecnológico incrível... sim, estamos a falar do teu telemóvel

Quando uma pessoa é exposta à radiação, cada segundo conta no que diz respeito a receber tratamento. A administração de citocinas pode estimular a produção de glóbulos brancos que é danificada pela exposição; o tratamento com iodeto de potássio ou azul da Prússia pode ajudar a eliminar partículas radioativas do organismo, e uma lavagem adequada pode prevenir queimaduras na pele que podem demorar dias a manifestar-se.

De facto, aqueles que recebem uma dose de radiação de corpo inteiro equivalente a 4 grays têm 50% de probabilidade de morrer no prazo de 60 dias se não forem tratados.

Configuração do sistema de digitalização portátil: um smartphone posicionado acima de uma câmara iluminada por LED para captura consistente da imagem do filme. (Bantan et al., 2026, Radiation Measurements, CC BY-NC-ND 4.0)

Grays (Gy) são unidades que exprimem a quantidade de radiação que uma pessoa recebeu, sendo que um gray equivale a um joule de energia de radiação absorvida por quilograma de tecido.

Dito isto, muitos métodos atuais de medição da exposição à radiação dependem de análises laboratoriais complexas ou de equipamento dispendioso.

Países que têm centrais nucleares estão sempre mais expostos

Para ajudar a alargar a capacidade de testar a exposição após eventos catastróficos, como o que ocorreu na central nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, em 2011, os investigadores da HU combinaram um filme radiocrómico conhecido como EBT4 com um scanner portátil dobrável e um smartphone.

O filme muda de cor instantaneamente quando exposto à radiação. E, embora a alteração seja visível a olho nu, não é realmente possível determinar os níveis de exposição apenas observando-o. É aqui que entram o scanner e o telefone.

Depois de o filme mudar de cor, pode ser colocado no scanner e a imagem pode ser captada pela câmara do smartphone. Utilizando aplicações móveis de processamento de imagem, o nível de exposição pode ser calculado, até um máximo de 10 Gy. Isto permite uma deteção de radiação no terreno acessível e precisa, poupando tempo significativo ao evitar a necessidade de levar as pessoas afetadas para ambientes clínicos para avaliação.

Para proteger as pessoas em caso de um acidente radiológico ou nuclear grave, avaliações voluntárias da dose no local e decisões rápidas sobre ações médicas devem ser realizadas imediatamente.

A simplicidade, a universalidade e a relação custo-benefício são fatores críticos para estas medidas de emergência.

Afirma o autor correspondente do estudo, Hiroshi Yasuda, professor no Instituto de Investigação em Biologia e Medicina da Radiação da Universidade de Hiroshima.

Samsung e Apple... OK

O sistema foi testado com sucesso utilizando smartphones da Samsung e da Apple. Agora, Yasuda e a sua equipa estão focados na normalização de protocolos e em garantir que o sistema funciona de forma fiável numa grande variedade de condições ambientais.

O artigo que descreve o sistema foi publicado na revista Radiation Measurements e é de acesso aberto, para que outros possam beneficiar dos resultados.

Embora o sistema funcione ainda melhor com scanners de secretária, Yasuda afirma que pretendiam algo mais portátil.

O nosso objetivo foi conceber um sistema que funcione mesmo nos piores cenários de acidentes, como após um desastre natural em que as infraestruturas possam estar danificadas.

Conclui.

Fonte: Pplware.