7 de jul. de 2026

O smartwatch poderá vir a detetar doenças antes dos primeiros sintomas graças à IA

 Os smartwatches deixaram há muito de servir apenas para contar passos ou medir o ritmo cardíaco. Com sensores cada vez mais sofisticados e algoritmos de inteligência artificial (IA), estes dispositivos estão a aproximar-se de um novo objetivo: identificar sinais precoces de doença antes mesmo de o utilizador sentir os primeiros sintomas.

Imagem smartwatch da Apple

A força está na comparação com o “normal” do utilizador

Ao contrário do que muitos pensam, um smartwatch não “descobre” diretamente uma doença. O que faz é monitorizar continuamente diversos indicadores fisiológicos e comparar esses valores com o padrão habitual de cada pessoa.

Entre os parâmetros analisados encontram-se:

  • Ritmo cardíaco
  • Variabilidade da frequência cardíaca
  • Temperatura da pele
  • Frequência respiratória
  • Qualidade do sono
  • Saturação de oxigénio (SpO₂)
  • Nível de atividade física

Quando vários destes indicadores apresentam alterações simultâneas e fora do padrão normal, o sistema pode gerar um alerta para que o utilizador esteja atento ao seu estado de saúde.

A fibrilhação auricular continua a ser um dos maiores sucessos

Uma das funcionalidades que mais consenso reúne entre a comunidade médica é a deteção de fibrilhação auricular (AFib), uma arritmia cardíaca associada a um maior risco de AVC.

Num estudo realizado com o Apple Watch, os alertas de ritmo cardíaco irregular corresponderam efetivamente a casos de fibrilhação auricular em cerca de 84% das situações analisadas, tornando esta uma das funcionalidades clinicamente mais relevantes atualmente disponíveis nos relógios inteligentes.

IA poderá identificar gripes e COVID-19 antes dos sintomas

Um dos avanços mais interessantes surge da combinação entre múltiplos sensores e modelos de inteligência artificial.

Investigadores da Texas A&M University e da Stanford University demonstraram recentemente que um smartwatch pode identificar alterações fisiológicas compatíveis com infeções respiratórias, como gripe ou COVID-19, poucas horas após a infeção e antes do aparecimento dos sintomas.

Segundo os investigadores, se estas informações forem utilizadas para incentivar testes precoces, isolamento ou tratamento atempado, poderá ser possível reduzir significativamente a propagação de futuras epidemias, estimando-se reduções que podem atingir os 50% em determinados cenários.

Imagem Apple Watch 5 com ECG

A IA ajuda a interpretar milhões de dados

Cada utilizador gera diariamente milhares de medições biométricas. É aqui que entra a inteligência artificial.

Em vez de analisar um único parâmetro, os algoritmos cruzam diferentes informações para perceber se existe uma tendência preocupante.

Várias empresas já utilizam este tipo de abordagem:

  • A Apple integra a funcionalidade Vitals, que combina vários sensores para identificar alterações relevantes;
  • A Oura disponibiliza o Symptom Radar, que procura sinais iniciais de doença;
  • A Whoop utiliza sistemas de recuperação baseados em IA;
  • A Google está igualmente a apostar em assistentes de saúde alimentados pelos modelos Gemini.

Ainda existem muitas limitações

Apesar dos progressos, os especialistas alertam que muitos dos indicadores apresentados pelos smartwatches continuam longe de possuir precisão clínica suficiente.

Entre os dados cuja fiabilidade continua limitada encontram-se:

  • Estimativas de calorias queimadas
  • Medição da pressão arterial (quando disponível)
  • Estágios detalhados do sono
  • VO₂ máximo
  • Índices de recuperação física

Além disso, alterações como um aumento do ritmo cardíaco em repouso podem ter múltiplas explicações, desde uma infeção até uma noite mal dormida, consumo de álcool ou simples fadiga física.

Um apoio, nunca um substituto do médico

A tendência aponta para que os smartwatches evoluam como ferramentas de monitorização contínua da saúde, funcionando como um sistema de alerta precoce e não como um dispositivo de diagnóstico.

Os próprios especialistas sublinham que qualquer alerta gerado por inteligência artificial deve servir apenas como incentivo para procurar aconselhamento médico e nunca substituir uma consulta ou exames clínicos.

O futuro destes dispositivos poderá passar precisamente por isso: acompanhar discretamente o utilizador, identificar alterações importantes no seu estado fisiológico e fornecer informação útil para uma avaliação médica mais rápida e fundamentada.


2 de jul. de 2026

Afinal, o “Ocultar o Meu Email” da Apple não está a esconder nada

 O "Ocultar o Meu Email" é um dos pilares da Apple para garantir a privacidade dos utilizadores. Este mecanismo de segurança que deveria proteger os utilizadores online, está agora sob escrutínio. Do que é revelado, afinal não oculta nada e permite rapidamente conhecer o email do utilizador.

Apple email ocultar segurança

Uma grave falha de privacidade foi exposta na ferramenta paga "Ocultar o Meu Email" do iCloud+ da Apple, permitindo aos atacantes ligar aliases de email aleatórios à caixa de entrada principal autêntica do utilizador. Descoberta pela EasyOptOuts e verificada através de testes em situações reais, a vulnerabilidade revelou com sucesso os endereços de teste em menos de cinco minutos.

O "Ocultar o Meu Email" é uma funcionalidade de segurança para os subscritores do iCloud+. Permite que os utilizadores criem endereços descartáveis ​​para evitar rastreadores de dados e violações de segurança. Uma investigação publicada revela uma grave falha de segurança. Afirma que a falha permite que os atacantes façam engenharia reversa de aliases anónimos, ligando-os com sucesso à caixa de entrada principal real do utilizador.

Para verificar a gravidade da falha, foi gerado um endereço aleatório e entregue à EasyOptOuts. Em cerca de cinco minutos, Murphy conseguiu-se extrair o endereço de e-mail da conta Apple. A vulnerabilidade terá uma taxa de sucesso elevada. A metodologia por detrás do ataque permanece em segredo para evitar a exploração em grande escala. No entanto, testes iniciais revelaram uma impressionante taxa de sucesso de 100%.

Apple insiste em esquecer-se de resolver a falha

O mais frustrante da situação é o calendário da correção. A EasyOptOuts identificou originalmente os passos de replicação e alertou formalmente a equipa de segurança da Apple em junho de 2025. Ao longo do ano seguinte, a fabricante do iPhone envolveu-se num lento jogo de e-mails. Em março deste ano, os representantes do suporte da Apple afirmaram ter resolvido o problema através de uma modificação silenciosa do sistema em segundo plano.

No entanto, uma avaliação independente rapidamente comprovou que a vulnerabilidade ainda funcionava. Em maio, as equipas da Apple pediram aos investigadores que mantivessem o silêncio absoluto enquanto continuavam a investigação. Cansados ​​das longas demoras e acreditando que os consumidores têm o direito de saber que os seus dados estão ativamente vulneráveis, o grupo de investigação decidiu manifestar-se.

Um dos principais argumentos de venda da Apple é a privacidade. O "Ocultar o meu e-mail" era um princípio fundamental desta filosofia. No entanto, se existe um método que permite aos atacantes contornar esta proteção e obter o endereço, então a sua utilização é inútil. Atualmente, não se sabe se outros grupos utilizaram esta vulnerabilidade para obter os e-mails de outros utilizadores.

Cinco funcionalidades do iPhone que o ajudam a proteger-se de um roubo

 A Apple tem vindo a reforçar, ao longo dos últimos anos, as medidas de segurança do iPhone para reduzir o impacto de um roubo. Embora nenhuma funcionalidade consiga impedir que um assalto aconteça, existem várias proteções que tornam o equipamento praticamente inútil para um ladrão e ajudam o proprietário a recuperar o controlo do dispositivo.

A primeira medida a tomar caso o iPhone seja roubado é ativar o Modo Perdido através da aplicação Encontrar (Find My). Desde outro dispositivo Apple ou através do iCloud na Web, é possível bloquear totalmente o equipamento.

Depois de bloqueado, o ladrão deixa de conseguir aceder aos dados, às notificações ou às chamadas. Além disso, o utilizador pode deixar uma mensagem no ecrã de bloqueio com um contacto, útil caso o iPhone tenha sido apenas perdido e encontrado por alguém de boa-fé.

Localize o iPhone mesmo que esteja desligado

Outra vantagem da rede Encontrar é a possibilidade de localizar o iPhone num mapa, mesmo quando este está desligado ou sem ligação à Internet, desde que a funcionalidade esteja previamente ativa.

Esta informação pode ser extremamente útil para apresentar uma participação às autoridades e indicar a localização aproximada do equipamento.

Proteção contra roubo dificulta o acesso às contas

Uma das funcionalidades mais importantes introduzidas pela Apple é a Proteção do Dispositivo Roubado, disponível desde o iOS 17.3.

Quando o iPhone se encontra fora de locais considerados familiares, como casa ou trabalho, determinadas ações críticas deixam de poder ser autorizadas apenas com o código de desbloqueio. Em vez disso, passam a exigir autenticação biométrica através do Face ID ou Touch ID e, em alguns casos, um período de espera de uma hora antes de alterações sensíveis, como mudar a palavra-passe da Conta Apple ou desativar a funcionalidade Encontrar.


O bloqueio de componentes reduz o mercado negro

A Apple também dificultou a revenda de peças provenientes de equipamentos roubados. Componentes como o ecrã, a bateria ou outros elementos críticos ficam associados ao número de série do iPhone onde foram originalmente instalados. Se forem montados noutro equipamento sem autorização, deixam de funcionar corretamente.

Esta medida diminui o interesse dos ladrões em desmontar iPhones para vender os seus componentes no mercado paralelo.

O Modo de Bloqueio protege contra ataques avançados

Embora não tenha sido desenvolvido especificamente para combater roubos, o Modo de Bloqueio (Lockdown Mode) oferece uma camada adicional de proteção para utilizadores com maior risco de sofrer ataques informáticos sofisticados.

Ao ser ativado, limita diversas funcionalidades do sistema, reduzindo significativamente a superfície de ataque utilizada por ferramentas de espionagem, como o Pegasus.

Vale a pena ativar estas funcionalidades

Grande parte destas proteções só produz efeito se estiver configurada antes do roubo acontecer. Por isso, é recomendável verificar se a funcionalidade Encontrar está ativa, bem como a Proteção do Dispositivo Roubado.

Mesmo que não consigam impedir um assalto, estas medidas dificultam o acesso aos dados pessoais, protegem a Conta Apple e tornam o iPhone muito menos atrativo para quem o pretende revender ou desmontar.