26 de mai. de 2026

Magic Mouse: como a Apple resolvia um problema que envergonha os seus criativos

 Durante anos, o maior alvo de críticas ao rato da Apple, o Magic Mouse, não foi o design, nem a ergonomia, nem o preço. Foi algo bem mais simples: a posição da porta de carregamento. Mas há quem defenda, e bem, que existe uma solução elegante e totalmente alinhada com o ecossistema da marca. De facto era fácil adicionar carregamento sem fios MagSafe.

Sou utilizador do Apple Magic Mouse desde 2009, mas uso o Mighty Mouse desde o ano 2000. Sim, eram ratos a pilhas, e já eram wireless. Apesar de que o primeiro rato Apple que toquei foi o velhinho Macintosh Mouse.

Gosto do Magic Mouse porque combina um design minimalista com uma superfície tátil multitoque. Apresentado em 2009, o acessório abandonou rodas de scroll e botões físicos tradicionais para apostar em gestos controlados pelos dedos.

primeira geração utilizava pilhas AA, mas em 2015 surgiu o Magic Mouse 2 com bateria recarregável e porta Lightning.

Foi precisamente aí que começou a controvérsia.

A Apple colocou a porta de carregamento na parte inferior do rato, o que significa que o dispositivo não pode ser utilizado enquanto está ligado ao carregador.

Apesar das críticas constantes, na prática o impacto acaba por ser menor do que parece. Bastam cerca de dois minutos de carregamento para garantir aproximadamente entre oito e nove horas de utilização. Um carregamento completo demora mais tempo, naturalmente, mas pode durar semanas ou até meses.

MagSafe podia resolver o problema sem mexer no design

Já muito se escreveu sobre isso e, de facto, há propostas de o tornar simples de carregar. Sem mexer no visual atual e adicionar carregamento sem fios, a Apple poderia apenas adicionar o carregamento MagSafe.

Imagine terminar o dia de trabalho, desligar o computador e pousar o rato na mesma base de carregamento onde carrega o iPhone. Ou até numa secretária com carregamento integrado. No dia seguinte, estaria pronto a usar.

Se o carregamento fosse feito apenas uma vez por semana ou até uma vez por mês, continuaria provavelmente a ser suficiente para garantir autonomia. Num eventual Magic Mouse 3, esta abordagem permitiria manter a filosofia de design da Apple sem obrigar os utilizadores a pensar tanto no carregamento.

Faz sentido no ecossistema da Apple

A adoção do MagSafe também aproximaria o rato da restante oferta da marca. Hoje, dispositivos como o iPhone e os AirPods já apostam fortemente em carregamento sem fios e integração entre equipamentos. Ainda assim, a ideia não seria eliminar a porta física.

O cenário ideal passaria por oferecer carregamento duplo, isto é, ter USB-C e sem fios. Num produto premium, essa flexibilidade seria vista como uma evolução natural.

Recorde-se que a Apple atualizou o Magic Mouse para USB-C em 2024, depois de quase uma década sem alterações relevantes ao design.

Há um pequeno obstáculo: o tamanho

Existe, contudo, um detalhe técnico. A base do Magic Mouse pode não ter largura suficiente para acomodar um sistema MagSafe tradicional. Uma hipótese seria aumentar ligeiramente as dimensões do futuro modelo.

Outra seria seguir a mesma estratégia usada nos AirPods: utilizar carregamento por indução compatível com bases existentes, sem necessidade de um alinhamento magnético convencional. Assim, a Apple conseguiria introduzir carregamento sem fios sem alterar drasticamente o aspeto do rato.

Magic Mouse da Apple redesenhado

Engenheiro tornou o Magic Mouse da Apple mais ergonómico e prático, e partilhou tudo. Veja aqui.

Porque continua a Apple a esconder a porta?

Para muitos utilizadores, colocar a porta num local visível pareceria uma solução óbvia. Mas isso iria contra um dos princípios históricos do design da Apple. O rato deixaria de ter superfícies limpas, contínuas e sem interrupções visuais.

A verdade é que o objetivo nunca foi criar um rato que agrade a todos. Foi criar um produto minimalista, sem botões aparentes, sem roda física e com o menor número possível de elementos visíveis.

Para quem prefere funcionalidade acima de estética, continua a existir um mercado enorme de alternativas. Entre as mais populares está o Logitech MX Master 4, frequentemente apontado como uma das referências para produtividade.

25 de mai. de 2026

Ferrari apresenta o Luce: o novo superelétrico desenhado por Jony Ive, criador do iPhone

 A Ferrari revelou finalmente o Luce, o seu primeiro veículo totalmente elétrico, cujo design exterior e interior foi inteiramente concebido pela LoveFrom, a prestigiada agência de Jony Ive, criador do design do iPhone.

O design irreverente do Ferrari Luce

O design exterior do Luce, que certamente dividirá opiniões, é da autoria da LoveFrom, a agência de design fundada por Jony Ive em 2019. Trata-se do primeiro automóvel completo desenhado pela empresa, embora Marc Newson já tenha experiência anterior com o protótipo Ford 021C de 1999.

Distanciando-se das linhas tradicionais da Ferrari, o Luce assemelha-se a um SUV em termos de dimensão, contando com quatro portas e cinco lugares, uma estreia absoluta para a marca do cavalo. O acesso aos bancos traseiros faz-se através de portas de abertura invertida, conhecidas como portas suicidas, que oferecem uma entrada mais e confortável.

No habitáculo, os comandos digitais e analógicos ainda se encontram numa fase preliminar, com várias funcionalidades de software por ativar neste modelo de pré-produção. Contudo, a envolvência dos materiais, com destaque para a pele de alta qualidade, dá-lhe um ambiente acolhedor que contrasta com a frieza inicial dos primeiros protótipos estáticos.

Este habitáculo procura não só cativar os clientes habituais, mas também atrair um novo perfil de condutores para a comunidade Ferrari.

Dinâmica e performance extraordinárias

No plano mecânico, o Luce honra o legado da casa de Maranello com uma potência avassaladora de 1035 cavalos, gerada por quatro motores elétricos independentes, um por cada roda. Esta arquitetura permite uma distribuição de binário extremamente precisa, o que otimiza o comportamento em curva e a tração em superfícies de baixa aderência.

Equipado com direção às quatro rodas e suspensão ativa, o veículo reduz a sua altura ao solo em 10 milímetros quando atinge velocidades elevadas. Todo este ecossistema é gerido pela Unidade de Controlo do Veículo (VCU), que analisa as condições da estrada a cada 5 milissegundos.

A energia é fornecida por uma bateria de 122 kWh, compatível com carregamentos rápidos de até 350 kW, estimando-se uma autonomia de 530 quilómetros no ciclo WLTP.

Para colmatar a ausência de ruído típica dos veículos elétricos, a Ferrari desenvolveu um sistema acústico. Um captor físico instalado no eixo traseiro regista as vibrações reais dos motores, e amplifica-as para criar uma assinatura sonora única que evoca os clássicos motores V8 da marca, sem simular artificialmente um motor de combustão.

Quanto ao preço, o Luce assume-se como o modelo mais caro do catálogo da marca, com um custo inicial estimado em 550.000 euros no mercado italiano. É um valor substancial que reflete a exclusividade e a assinatura de design da LoveFrom.

18 de mai. de 2026

Ative esta funcionalidade sempre que emprestar o seu iPhone

 Emprestar o iPhone a alguém pode ser, para muitos utilizadores, um momento de ansiedade. Para estes, há uma funcionalidade que resolve o problema de forma rápida. Apesar de existir há anos no iOS, continua a não ser do conhecimento de todos.

Uma rapariga a emprestar o iPhone a outra. No centro, acima do iPhone, um cadeado.

Quando alguém pede para usar o nosso iPhone, seja para tirar uma fotografia, ver um vídeo ou consultar algo rapidamente, estamos, na prática, a entregar acesso a uma extensão digital de nós próprios.

Um simples gesto de deslizar o dedo pode levar qualquer pessoa da câmara para a galeria, das mensagens para as notificações, de uma app para outra.

O Acesso guiado do iOS

Por predefinição, o iOS não coloca qualquer barreira entre aplicações quando o ecrã está desbloqueado. Contudo, oferece uma funcionalidade nativa que permite bloquear o iPhone numa única aplicação.

Com ela ativa, o utilizador que tem o dispositivo na mão não consegue sair dessa app, não tendo como aceder ao ecrã inicial, abrir o centro de notificações ou saltar para outra app.

Para ativar o Acesso guiado, basta seguir os seguintes passos:

  • Abrir as Definições;
  • Entrar em Acessibilidade;
  • Selecionar Acesso guiado;
  • Ativar a funcionalidade;
  • Definir um código PIN ou ativar a autenticação por Face ID.

A partir desse momento, sempre que abrir a aplicação que quer partilhar, precisa de clicar três vezes no botão lateral e selecionar Iniciar para o iPhone ficar imediatamente bloqueado nessa app.

Para iniciar e terminar a sessão, deve repetir os três cliques e autenticar-se com o código ou Face ID.

Controlo alargado de um pedaço gigante da nossa vida

Além do bloqueio básico por aplicação, o Acesso guiado oferece opções de controlo mais detalhadas que muitos utilizadores desconhecem:

  • Desativar zonas específicas do ecrã através de um gesto de seleção;
  • Bloquear o teclado;
  • Desativar os botões de volume;
  • Impedir que o ecrã rode;
  • Definir um limite de tempo para a sessão.

Estas ações tornam a funcionalidade útil em contextos muito variados, desde entregar o telemóvel a uma criança para jogarmostrar uma apresentação sem risco de interrupções, ou permitir que alguém faça uma chamada sem acesso ao resto do dispositivo.

O Acesso guiado foi introduzido pela Apple com o iOS 6, pensado originalmente para contextos educativos e de acessibilidade.

Com o tempo, tornou-se também numa ferramenta prática de privacidade quotidiana, ainda que a Apple nunca o tenha promovido dessa forma.