1 de jun. de 2026

Apple Watch ajuda Harvard a revelar o impacto da menopausa no sono

 Uma investigação da Escola de Saúde Pública de Harvard analisou mais de 94 mil noites de dados de sono recolhidos através do Apple Watch, permitindo quantificar pela primeira vez, em grande escala, o impacto da perimenopausa, o período de transição que antecede a menopausa, na qualidade do sono das mulheres.

Imagem Apple Watch

O estudo baseou-se nos dados de 338 participantes do Estudo de Saúde da Mulher da Apple, com idades compreendidas entre os 25 e os 59 anos, embora a maioria estivesse na faixa etária dos 45 aos 59 anos.

Esta investigação integra os programas de pesquisa em saúde lançados pela Apple em 2019 através da aplicação Apple Research, em colaboração com a Harvard University, o Brigham and Women’s Hospital, a American Heart Association e a University of Michigan.

Em fevereiro de 2025, a Apple revelou que os seus estudos de saúde já contavam com mais de 350 mil participantes em todo o território dos Estados Unidos.

A importância do sono na deteção da menopausa.

O sono piora à medida que a menopausa se aproxima

Os investigadores concentraram a análise num período de 24 meses em torno da última menstruação registada pelas participantes, abrangendo os 12 meses anteriores e os 12 meses posteriores.

Os resultados mostram que a maioria das mulheres passou mais tempo acordada durante a noite à medida que se aproximava da menopausa.

Nos 18 meses que antecederam a menopausa:

  • 60% das participantes registaram um aumento do indicador WASO (Wake After Sleep Onset), que mede o tempo de vigília após adormecer;
  • O aumento médio deste indicador foi de 7% relativamente aos seis meses anteriores.

Após a menopausa, as participantes passaram, em média, mais 0,8% do tempo de sono acordadas quando comparado com o período anterior.

Os investigadores salientam a diversidade dos perfis: "cada pessoa vive a perimenopausa e a menopausa de forma diferente". Algumas participantes registaram aumentos bem acima da média, enquanto outras não observaram qualquer alteração significativa. Esta variação dificulta qualquer generalização e defende um acompanhamento personalizado.

Sintomas mais associados à degradação do sono

As participantes registaram igualmente os sintomas associados à menopausa ao longo do estudo.

Os mais frequentes foram:

  • Ondas de calor (82,3%);
  • Irritabilidade (68,1%);
  • Cansaço mental (65,7%);
  • Sintomas relacionados com a vida sexual (65,6%).

Entre as mulheres que reportaram sintomas mais severos, os investigadores identificaram uma associação particularmente forte entre a pior qualidade do sono e:

  • Problemas da bexiga;
  • Dores articulares;
  • Desconforto cardíaco;
  • Sintomas depressivos.

Recomendações para dormir melhor durante a perimenopausa

Com base nos resultados obtidos, os investigadores deixaram algumas recomendações práticas para melhorar a qualidade do sono durante esta fase da vida:

  • Manter o quarto fresco durante a noite;
  • Respeitar horários regulares para deitar e acordar;
  • Praticar atividade física de forma consistente;
  • Evitar substâncias irritantes para a bexiga e reduzir a ingestão de líquidos antes de dormir;
  • Integrar técnicas de relaxamento e mindfulness na rotina noturna.

O estudo demonstra ainda como dispositivos de monitorização, como o Apple Watch, podem desempenhar um papel relevante na investigação médica, permitindo acompanhar alterações fisiológicas ao longo de vários anos e em condições reais do dia a dia.