21 de nov de 2014

Crimes virtuais desembocam no mundo real e exigem ação do governo

Um grupo criado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República vai monitorar e mapear crimes contra os direitos humanos em redes sociais. O objetivo é receber e analisar denúncias sobre páginas na Internet que promovam o ódio e apologia à violência e à discriminação. Lançado no Dia da Consciência Negra, o grupo teve sua formalização publicada nesta sexta, 21/11, no Diário Oficial da União.
Também compõe esse grupo de trabalho as secretarias de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, de Políticas para Mulheres, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Colégio Nacional dos Defensores Públicos Gerais.
Ao lançar a iniciativa, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, afirmou ser assustador o crescimento dos crimes de ódio no Brasil. Segundo ela, dados da SaferNet Brasil indicam um aumento entre 300% e 600% no registro desse tipo de violação no país entre 2013 e 2014. Em oito anos, segundo o governo, a SaferNet Brasil recebeu e processou 3.417.208 denúncias anônimas envolvendo 527 mil páginas na Internet.
“O crime virtual desemboca, infelizmente, no crime real”, disse a ministra, que lembrou o caso da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, atacada por uma multidão e morta em maio, em Guarujá (SP), depois de ser erradamente confundida com um retrato falado de uma suspeita de realizar rituais de magia negra com crianças sequestradas.
Além da criação do grupo de trabalho, o governo anunciou uma parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo. O Laboratório de Estudos em Imagem e Cibercultura da instituição – referência nacional em pesquisas sobre redes sociais – vai desenvolver um aplicativo para que a Secretaria de Direitos Humanos possa acompanhar a atuação das redes de apologia ao crime e também de redes de defesa dos direitos humanos.

Fonte: Convergencia Digital