É quase irónico que a Apple precise de recorrer à sua maior rival comercial para evitar um processo judicial. A fabricante do iPhone solicitou dados internos confidenciais da Samsung para tentar defender-se das acusações de monopólio que o governo dos EUA está a mover em tribunal.
Apple pede ajuda à Samsung!
Os documentos legais analisados mostram que os advogados invocaram a Convenção de Haia. Acionaram este mecanismo internacional para obrigar a Coreia do Sul a entregar os relatórios diretamente da casa-mãe asiática, ignorando por completo a subsidiária americana. A principal questão aqui é que os promotores alegam a criação de um ecossistema concebido para reter os utilizadores à força.
Para refutar rapidamente esta acusação, os advogados precisam de justificar que existe um êxodo real de clientes para o Android e que qualquer pessoa pode migrar sem sofrer penalizações de software. Exigir estes números ao seu principal concorrente é um atalho rápido. Após ultrapassarem a concorrência, confirmar ao juiz que os rivais roubam clientes faz cair a teoria de um mercado fechado onde as não existe outra opção.
A lista de alegações que apresentaram aos tribunais é enorme. Solicitam uma revisão minuciosa de estudos de mercado privados, documentos comerciais e estatísticas precisas sobre a venda de telemóveis e smartwatches. Tentam quantificar o número de utilizadores que abandonaram o ecossistema da Apple por motivos pessoais. Uma parte vital desta auditoria forçada envolve a análise do desempenho da Galaxy Store.
Quantas pessoas migram para Android
Querem demonstrar que os utilizadores de telemóveis concorrentes têm lojas alternativas e completamente independentes que operam fora da Google, diminuindo um pouco a imagem de controlo tirânico denunciada pelos procuradores americanos. Esta papelada tem um propósito muito claro. Os arguidos precisam de demonstrar, com dados concretos, que a sua recente liderança global está sob ameaça diária.
Querem deixar claro que a concorrência está constantemente à espreita, embora, curiosamente, os advogados ainda não tenham especificado quais os anos específicos que desejam auditar para o tribunal. É difícil perceber porque é que a equipa jurídica se concentrou numa única marca em vez de investigar gigantes como a Xiaomi. Também é estranho que não tenham apresentado estudos de mercado independentes.
Isto para comprovar rapidamente o êxodo diário de clientes para outros sistemas operativos que alegam estar a experimentar. Obter a assinatura do juiz americano é apenas o primeiro passo. Mesmo com um mandado internacional devidamente aprovado, as autoridades asiáticas ou a Samsung poderiam bloquear o acesso. Confiar nos arquivos secretos do seu rival para resolver um caso tão grave pinta um quadro extremamente pessimista.
Fonte: Pplware.

